sexta-feira, 30 de setembro de 2011

História Contrária


Numa história de amor,
quando parte o homem do mar,
Fica, a mulher, no porto.
Acenando à despedida.
Nossa história não é de amor.
Aliás, nós nem temos uma história ...
E embora eu seja a mulher,
como o homem do mar,
sou eu quem parto.
Parto do porto.
Fica você no mar.
E como homem do mar,
embora eu não o seja,
Eu sempre volto.
E nessa história contrária,
                                        você está sempre a minha espera.

I by myself...

Cada dia que passa me convenço mais que não sou uma mulher normal, ou diga-se convencional.
Enquanto a maioria das mulheres da minha idade regozijam-se em falar de filhos e netos, discutem receitas culinárias e comentam sobre o último capítulo da novela, eu sonho em ampliar horizontes e refinar meu treinamento em mergulho, para um dia, espero que num futuro próximo, eu possa mergulhar nos destroços de um submarino alemão.
Definitivamente não me enquadro no grupo de mulheres com o qual sou obrigada a conviver diariamente, tanto por questões de trabalho, quanto por relacionamento de filhos.
Isso me remete às lembranças dos meus 16 anos, quando minhas amigas só pensavam em meninos enquanto eu fazia pesquisas e lia tudo o que podia encontrar sobre a 2ª Guerra, Hitler, os alemães e o holocausto.
O fato de sempre ser diferente, nunca me incomodou, mas muito pelo contrário, sempre me incentivou a buscar por aquilo que sempre acreditei: que o ser humano é individualmente único.
Mas eu cresci, amadureci e fui mãe.
Apaixonei-me algumas vezes, mas quando amei de verdade, emburreci!
Então comecei a me anular; assumi a personalidade do ser amado e, então, comecei a perdê-lo.
O que talvez tivesse feito com que me admirasse e se aproximasse de mim, era exatamente meu jeito irreverente e único; mas como eu mudei, as coisas também mudaram...
Os anos passaram e por muito tempo continuei adormecida. Anestesiada para ser mais exata. E então a vida tornou-se insuportável!
Já não encontrava consolo em nada, mas ainda me restava Deus!
E foi à ele que supliquei.
Na sua infinita misericórdia, ele me ouviu e um dia eu acordei diferente e resolvi fazer coisas.
Nada absurdo ou espetacular. Nada que chamasse atenção, mas pequenas coisas que me completassem e me fizessem feliz.
Resolvi começar fazendo uma tatuagem e em quatro semanas eu já havia feito quatro, um piercing e estava com a quinta tattoo marcada.
Dois anos, oito tatuagens e sete piercings depois, separei-me e mudei com meus quatro filhos para o bairro onde passei minha infância e adolescência. Comecei, então, o resgate de minha personalidade original.
Apenas quatro meses depois, uma grata surpresa.
Cidade nova, casa nova, vida nova e claro, escola nova para as crianças. Na escola nova, amigos e professores novos... E então veio a primeira reunião de pais do ano letivo...
Ao chegar à escola onde meus filhos agora estudavam para a tal reunião de pais, notei que a minha filha de treze anos me aguardava no pátio com um grupo de amigos e fui em sua direção.
Ela, na sua inocência de filha, disse aos “novos” amigos:
“- Olha, a minha mãe chegou!”
e quando perguntaram-lhe quem era a sua mãe, ela, com a maior naturalidade, respondeu:
“- Aquela toda tatuada.”
Então, um amigo dela falou:
“- Olha, ela pode ser sua tia, vizinha, irmã ou amiga, mas sua mãe ela não é! Ninguém tem uma mãe assim!!!”
Os olhos verdes da minha filha então brilharam e ela respondeu ao amigo:
“- Pois é! Ninguém tem. Mas eu tenho e ela é a minha mãe!”
Nesse dia, eu tive a certeza de que havia, por fim, resgatado minha personalidade.

Amigo

Se eu pudesse escolher um amor,
esse amor seria você.
Sua voz me acalma
e me inspira a alma.
Seu sorriso também me faz sorrir;
e na hora do medo,
foi você quem me segurou,
me acudiu e me acalmou.
Você, meu amigo,
é o que eu pedi à Deus;
Você, meu amigo,
é uma benção!
A minha benção!
Se eu pudesse escolher um amor,
esse amor seria você...

sábado, 9 de julho de 2011

Pranto

Como vou prantear-te agora?
As palavras que foram ditas
(e as que não foram) ficaram perdidas.
Os carinhos e as confidencias
ja havíamos enterrado
e agora você vai com eles.
Não te posso prantear à vista de todos
e isso muito me dói.
Ironia da vida só poder prantear-te
ao lado do teu amor,
da tua "Bela" que hoje,
já não chora a sua falta!





Eliane
15.02.2011
02:05h

Aprendendo a Viver!!!

A impressão que eu tinha é que estava lendo a história da minha vida, contada por outra pessoa! Os mesmos sentimentos de fracasso e impotência que faziam com que eu me sentisse uma velha de mil anos escondida em Shangri-Lá (só por essa menção tenho certeza da minha idade, rsrs).
Um divórcio sofrido demais, triste demais e traumático demais que fez com que eu me jogasse, não só de cabeça, mas de corpo e alma, num relacionamento com um amigo de adolescência que apareceu como um príncipe encantado vindo de um país longínquo para salvar a bela em perigo...
O mais estranho é que tudo isso fora vivido há uns 4 ou 5 anos, e ainda assim, a impressão que eu tinha é que estava lendo a história da minha vida!
E como em toda boa história, dessa vez o príncipe não virou um sapo, como nos contos de fada; mas como em um relato shakespeariano, passou pela minha vida, apaixonando-me; fazendo-me crer em almas gêmeas e depois, se foi... Literalmente morreu...
Em, exatamente 3 anos, me fez sentir a dor de perdê-lo por 2 vezes: quando foi embora e na sua morte. E cinco meses depois, ainda estou fazendo meu luto!!!

APARIÇÃO

Você é real e me vem como alento
nos momentos difíceis.
Não são apenas coincidências e acasos.
Quando a dor é forte
Você aparece do nada
como uma borboleta que distrai o olhar
de uma cena triste.
Sua pequena, mas significativa presença
age como um brilho de luz
trazendo esperança na escuridão!


Eliane Comenda
15.02.2011
01:59h

...vontade...

Queria estar nos seus braços
esquecendo do mundo
sentindo seu hálito
quente na minha pele
sua língua
doce na minha boca
seu membro
teso nas minhas entranhas
seu suor
no meu rosto
seu gosto
ácido na minha língua
seu membro no meu rosto
sua língua nas minhas entranhas
seu suor na minha pele
seu gosto na minha boca
seu peito nas minhas costas
seu hálito no meu pescoço
você dentro de mim.

Eliane 29/12/2010 - 14h43'